Padre Fábio de Melo elogia peças em marchetaria feitas por artista do AC: 'Competência e bom gosto'

Padre Fábio de Melo mostra peças de marchetaria feitas por acreano O padre Fábio de Melo, uma das atrações da 51ª Expoacre, em Rio Branco, elogiou peças ...

Padre Fábio de Melo elogia peças em marchetaria feitas por artista do AC: 'Competência e bom gosto'
Padre Fábio de Melo elogia peças em marchetaria feitas por artista do AC: 'Competência e bom gosto' (Foto: Reprodução)

Padre Fábio de Melo mostra peças de marchetaria feitas por acreano O padre Fábio de Melo, uma das atrações da 51ª Expoacre, em Rio Branco, elogiou peças de marchetaria produzidas pelo artesão acreano Maqueson Pereira da Silva. Nas imagens publicadas nas redes sociais do sarcedote, ele aparece enaltecendo os itens que foram adquiridos na Casa do Artesão na última terça-feira (4), momentos antes do show no Parque de Exposições Wildy Viana. (Veja vídeo acima) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp 🎨 A marchetaria é a arte de encaixar fragmentos de diferentes madeiras, aproveitando suas cores e texturas naturais sobre uma base sólida para criar ilustrações, padrões geométricos ou imagens artísticas. No caso de Maqueson, a inspiração é a Amazônia. Logo após mostrar a confecção de bolsas e caixas, o padre contou quem produziu as peças. "Riquezas do Acre, isso é uma marchetaria, meu povo. É colado pedacinho por pedacinho e pacientemente montado. Parece uma pintura, mas é madeira recortada e colada, vocês acreditam? O artista que fez é o Maqueson, um acreano que leva o nome do Acre com muita competência e bom gosto. É uma honra usar suas peças", disse o padre no vídeo. No Instagram, o sacerdote exibiu os trabalhos antes de seu show na Expoacre 2026 Reprodução/ Instagram Ao g1, o artesão Maqueson Pereira disse que o reconhecimento tem um significado ainda maior por causa da ligação histórica entre a marchetaria e os conventos europeus. O artista destacou que já chegou a ser seminarista em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. "O padre é alguém que conhece essa arte. A marchetaria surgiu justamente dentro dos conventos, com os frades cartuxos, na Itália. Eles tinham sensibilidade para executar esse trabalho minucioso. Por isso, o comentário dele me deixa muito feliz", afirmou. Além de mostrar uma bolsa e uma caixa produzidas pelo artesão, as imagens publicadas no Instagram também mostram o padre usando durante sua apresentação na feira agropecuária, um colar de miçangas indígenas. LEIA MAIS: Artesãos do Acre vendem mais de R$ 100 mil em peças em dois dias do 17º Salão do Artesanato, em Brasília Bolsa feita em marchetaria no Acre ganha prêmio internacional da Unesco: 'Grande conquista' Do Acre, bolsa em marchetaria é vendida por até R$ 5 mil em Paris Padre também usou um colar de miçangas indígenas durante sua apresentação na Expoacre Reprodução/ Instagram Inspiração na floresta amazônica Maqueson contou que conheceu a marchetaria a partir da marcenaria. Após estudar no seminário para se tornar padre, o artesão acreano chegou a se mudar para Santa Catarina, onde seguiu com o estudos de sua então vocação. À época, o aprendizado do ofício era parte da formação. Segundo o artesão, o interesse pela técnica foi tão grande que descobriu que, para aprofundar os estudos, precisaria ir à Itália. Sem condições financeiras naquele momento, só conseguiu realizar esse objetivo quando surgiu a oportunidade de estudar no exterior. “Venho dos barrancos do Juruá e fui seminarista no colégio de padres de Cruzeiro do Sul. Fui para Santa Catarina estudar e lá era obrigatório aprender uma profissão. Iniciei na marcenaria e depois descobri a marchetaria, que é a arte de encaixar madeiras diferentes criando desenhos”, relembrou. Maqueson afirma que suas criações já foram entregues a outras personalidades, entre elas os padres Zezinho e Antônio Maria, além de integrantes da realeza sueca e autoridades do Oriente Médio. Segundo ele, as peças também participaram de eventos ligados à cerimônia do Oscar, nos Estados Unidos. Apesar do reconhecimento internacional, o artesão diz que o maior desafio continua sendo transformar a identidade amazônica em arte ao reunir madeiras de diferentes origens em uma única composição artística "Não é somente uma peça. Ela traduz rios, canoas, seringais, floresta, seringueiras, pássaros, flores e árvores. Tudo isso sintetiza um pouco daquilo que eu vi e vivi", destacou. Artesão acreano recebe prêmio da Unesco por bolsa feita em marchetaria Marchetaria O artista tem uma trajetória de mais de 35 anos dedicados ao artesanato. Já é um nome conhecido no Brasil e no exterior, com prêmios nacionais como o TOP 100 de Artesanato, e trabalhos de destaque, como a ambientação da loja da Farm, em Londres. O artista leva de três a cinco dias na produção de cada bolsa. Para a fabricação das diversas peças entre bolsas, caixas, porta-joias, chaveiros e quadros, são utilizadas 156 espécies de árvores, sendo necessário a importação de alguns tipos da Alemanha. Todas as cores utilizadas na arte são naturais da madeira, apenas a cor azul é produzida através de um efeito químico, fazendo a árvore crescer com esta tonalidade. Reveja os telejornais do Acre